Quinta, 23 Fevereiro 2017 08:48

Presidente da AGAP/MA divulga ações da entidade Destaque

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Jornal O Imparcial -  Entrevista//Jânio Martins

Caderno: Esportes - Edição: Neres Pinto

Veículado em: 19 de fevereiro de 2017, São Luís, Maranhão.

Apoio ao ex-atleta profissional

Associação de Garantia ao Atleta Profissional presta assistência social a ex-craques, muitos dos quais caíram no esquecimento da torcida.

janiojornalfotoA Associação de Garantia ao Atleta Profissional (Agap), do Maranhão, completa 36 anos. Nes­se período, foram muitos ca­sos em que teve de lidar com situações difíceis para prestar assistência a atletas que pa­raram de jogar e não tinham mais nenhum horizonte. Nesta entrevista a O Imparcial, Jânio Martins Pinto, presidente da entidade, fala um pouco desse trabalho e apresenta sugestões para que os jovens saibam como evitar a fase negativa após o fim da curta carreira de joga­dor de futebol.

Quando surgiu a Associa­ção de Garantia ao Atleta Pro­fissional no Maranhão? 

A Agap-MA foi fundada no dia 23 de fevereiro de 1981, portanto vai fazer 36 anos no Maranhão. Ela está presente em 16 estados e no Distrito Federal. Surgiu da questão dos atletas quando se apo­sentavam. Muitos deles fica­vam sem saber o que fazer nesse momento. Nós sabe­mos que o estudo era pou­co, não tinha uma segunda opção profissional, aí a Agap veio para preencher essa la­cuna, oferecendo a esses atle­tas a oportunidade de serem inseridos novamente no mer­cado de trabalho, mas de for­ma qualificada.

E como é prestada essa as­sistência?

Hoje, a Agap financia até 70% do curso, quando o atleta quer fazer uma universidade. Quando ele se associa, tem direito a esse benefício, e isso serve também para quem quer fazer um cur­so profissionalizante, ou ensi­no fundamental ou médio, no caso, a Agap se preocupa com a qualificação desse atleta, tanto é que hoje temos vários ex-atle­tas graduados e pós-graduados, sendo que a maior parte deles é educador físico e decidiu per­manecer no mundo esportivo. Eu mesmo sou um exemplo de quem se beneficiou desse proje­to, pois me graduei em Direito, portanto, atuo como advogado. 

Quantos associados tem a Agap e como você recebeu a entidade?

Eu peguei a Agap há três anos. Tivemos uma série de dificulda­des, pois ela não tinha divulga­ção, e isso faz com que o atleta e ex-atleta não saibam da exis­tência da entidade. Consegui­mos melhorar essa divulgação, e graças a Deus isso vem surtin­do efeito. Hoje, são mais de 300 associados.

Dentro desse trabalho ao ex-atleta, quais são as outras atividades?

Hoje, temos a questão social, as graduações, a questão médica em relação à assistência àqueles atletas que não têm condições de comprar remédio que não são disponibilizados pela rede pública, então a Agap financia. Temos vários casos, como, por exemplo, Ferreira, que jogou no Sampaio na década de 70, que passou por um transplante e nós estamos acompanhando. Tam­bém realizamos orientações à inserção ao mercado de traba­lho. É basicamente isso. 

Que sugestão você daria aos jovens atletas para que não ocor­ram frustrações após o encerra­mento da carreira profissional?

Na solidez da educação fa­miliar, pai e mãe, família, eu acho que ali começa tudo, você começa a ser educado, a ter a dimensão do que é certo, do que é errado, e lógico, você sai de casa e vai viver a vida sozi­nho. Mas na questão do atle­ta profissional, ele precisa ser acompanhado por uma pessoa, a ter um agente, por exemplo, e não falo só de um agente que vai ganhar dinheiro, mas de al­guém que vai programar essa carreira, inclusive mostrando que esta é curta. Você tem que treinar forte e, se almeja alguma coisa dentro do esporte, quer sair como um dos melhores, tem que treinar bastante, es­quecer o álcool e as drogas. 

Como você está vendo esse início de temporada para o fu­tebol do Maranhão?

Tenho observado o nosso futebol, e aí não é questão de saudosismo, mas eu vejo que a qualidade regrediu, sem dú­vida nenhuma. Na minha épo­ca, você ia a um estádio de fu­tebol, via um Raimundinho jogando, Caio, campeão do mundo, Edézio, Paulo César, que jogou no São Paulo e Se­leção Brasileira, isso me in­quieta, porque, pelo que eu vejo, a nossa base foi deixada de lado. Nós não investimos mais no jogador da casa. O úl­timo que conseguimos revelar em nível nacional foi Cleber Pe­reira, depois dele eu procuro, tem o Márcio Araújo, e alguns outros que só sabemos que é maranhense por acaso, não fo­ram revelados aqui, nas bases dos nossos clubes. 

Os dirigentes alegam que o custo é muito alto para se manter a divisão de base. Será?

Aí eu te pergunto: quanto custa um atleta que vem de fora, um salário alto, passa­gem , hospedagem e alimen­tação? Os da casa, em tese, eu fui da casa e não precisava dis­so, por ser daqui. Eu acredi­to que a categoria de base é a grande saída, principalmen­te para aqueles que não têm recursos, que uma coisa é o clube revelador, outra coisa é o clube comprador. 

Essa temporada do futebol maranhense 2017 te preocupa?

Me preocupa, o que eu vi, não gostei, como o jogo do Moto contra o São Paulo, Moto e For­taleza, vi Sampaio na abertura do Campeonato, vejo que esta­mos regredindo, e tecnicamente inferiores. O Sampaio tinha um bom time há dois anos, brigou até para subir, com grandes no­mes, apesar dos outros times não acompanharem, tínhamos um grupo bom no estado. Hoje, vejo que todos estão no mesmo nível. Apesar de algumas vitórias do Sampaio, não está conven­cendo. E quem fez a diferença são os que vieram da divisão de base. Eu penso que se você tiver uma equipe de qualidade na base, pois é ali que começa tudo, você começa a tirar os de­feitos, começa a fortalecer o que já tem de bom, depois é neces­sário ter uma equipe preparada para fazer a filtragem, analisar que isso é bom. Você deixa de importar dois times.Na minha época, as equipes tinham for­mação maranhense e poucos jogadores vinham de fora. Me lembro do MAC em 1995, tinha grandes nomes do futebol ma­ranhense. Hoje, vários desses foram para outros estados e fi­zeram seus nomes até nos paí­ses europeus.

janiojornal

Assessoria de Comunicação.

 

 

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