Sexta, 01 Outubro 2021 17:55

Emoção marca Audiência Pública Destaque

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Também participaram, virtualmente, da audiência pública, familiares de ex-atletas assistidos pelo Sistema FAAP/AGAP.

Lícia Cavalcante Lima, esposa do ex-atleta profissional de futebol Mailson Souza Duarte e Ingrid Sacramento de Oliveria Souza, filha do ex-atleta Regivaldo José de Souza. Os dois ex-atletas são assistidos pelo Sistema FAAP, por meio da AGAP/BA.

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Lícia relatou a situação de seu esposo Mailson, que atuou por vários clubes de futebol no Brasil, como o Bahia, São José, Ipiranga entre outros e foi diagnosticado, há 11 anos, com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). “Começou com as quedas, o corpo não obedecia, até que teve o diagnóstico de ELA. E ele foi piorando, os médicos deram de três a cinco anos de vida, hoje ele está com 53 anos”, relata.

A esposa de Mailson conta que antes de ficar acamado, já em cadeiras de rodas, Mailson,  soube da assistência disponibilizada pela AGAP, solicitou e conseguiu os benefícios. “Agora, ele não fala mais, não anda, se alimenta por gastrostomia, respira por ventilação mecânica e se comunica através dos olhos”, disse Lícia, ressaltando que os gastos com paciente de ELA é muito dispendioso.

“Ele usa mais ou menos 200 fraldas por mês, toma 41 medicamentos diariamente, um dos medicamentos mais baratos, custa R$27 e este ele toma oito por dia, são 240 comprimidos por mês. Ainda tem os antidepressivos e ele desenvolveu diabetes que já entramos com medicação. Também faz uso de quatro medicações para constipação, pois ele não tem mais força, por isso, tenho de fazer, uma vez por semana, o toque retal para retirar as fezes. Então é uma doença muito triste”, relatou emocionada.

Lícia disse que a dieta do esposo corre 24 horas. “São 36 sachês por dia e essa dieta é caríssima. Ele também tem de fazer fisioterapia e nisso a AGAP/BA tem nos ajudado bastante. Então, esses recursos não eram públicos, não sei porque a extinção. Quero pedir sensibilidade dos parlamentares, porque não sabemos até quando ele vai suportar, se cessarem esses recursos”, desabafou Lícia, que apresentou seu esposo pelo vídeo.

Participação da filha de ex-atleta beneficiado

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Outro depoimento que emocionou a todos foi o de Ingrid Sacramento de Oliveira Souza, filha do ex-atleta Regivaldo José de Souza, conhecido na Bahia por Poti. Ela relatou as dificuldades que enfrenta com o pai, sendo filha única, e com a mãe também doente.

A jovem relatou que o pai tem 59 anos, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), em 2008. “Ele jogou no Botafogo, Ipiranga, foi treinador de goleiros e se formou em Educação Física com Bacharelado e Licenciatura já diagnosticado.“É uma doença nova pra gente, porque só conseguimos entender quando viralizou na Internet, com o balde de gelo, e aí começamos a entender como seria nossa realidade”, relata Ingrid.

Ela disse que o pai ainda consegue se comunicar, mas com grande dificuldade na fala. “Começou nos membros superiores e depois na fala, ele engasga muito e necessita de fisioterapia motora e respiratória porque o pulmão é um dos órgãos mais afetados e se parar leva a óbito. É uma doença que não tem cura”.

Há alguns anos, a mãe de Ingrid cuidava do pai, mas também ficou doente. “É através da AGAP junto com a Faap que a gente consegue esse auxilio, ele tem fisioterapia, hoje ele tem uma cuidadora, antes minha mãe cuidava mas ela é idosa e descobriu uma doença e quase morreu e eu como filha única me vi sem saber o que fazer”.

Quando Ingrid soube que o artigo 57, da Lei Pelé foi revogado, entrou em desespero, segundo seu relato. “Eu não sabia o que faria da minha vida, não sabia o que iria fazer com ele. E questionei sobre o que levou a revogação deste artigo? O que foi que levou a extinguir um benefício como este? Seria o custo financeiro? Quanto vale a vida de uma pessoa? Quanto vale a vida de todas essas famílias beneficiadas por este auxilio, seja por doença ou o que for?”

Ela descreve a forma de recebimento dos auxílios concedidos pelo Sisema FAAP/AGAP: “são essenciais, não se trata de luxo, não se trata de enriquecimento até porque o benéfico que eles proporcionam não é nem a mais nem a menos, é exatamente o valor que a gente precisa, e em contrapartida a gente tem de apresentar todas as notas fiscais. É através da FAAP e AGAP com esses benefícios que a gente consegue o auxilio alimentação, que é suplementação que ele precisa, da dieta diferenciada, por causa da perda muscular, porque engasga muito”, explica.

Ingrid destaca que essa é uma realidade muito difícil. “Só quem convive que sabe, tenho certeza que hoje a minha voz está representando diversas esposas, filhas, irmãs, que estão passando pela mesma situação e outras porque a gente não tem ideia de tantas doenças que surgem”.

Durante seu depoimento, Ingrid apresentou seu pai aos integrantes da audiência, ele muito emocionado chorou e ela também, emocionando a todos que assistiam, pela extensão do sofrimento da família.

“Ele está muito emocionado. É tudo muito difícil, se trata de vidas, a minha, a dele e neste momento com a situação do auxilio não sei o que vou fazer, porque por mais que a gente trabalhe eu não tenho condições de arcar com essa qualidade de vida proporcionada por esse benefício”, desabafou a filha de Poti, perguntando: "o que vale a vida do meu pai? Quanto vale a vida desses atletas? Os atletas de hoje são os ex-atletas de amanhã. Não merecem esse olhar cuidadoso? Quanto vale tudo isso? O preço é tão alto? Será? Um benefício que é dado a tantos anos. Porque exatamente agora, quando a gente mais precisa, em plena pandemia, revogam o artigo 57, que é tão importante pra gente? Aqui temos dois casos, do meu pai e de Mailson, mas imaginem quantas outras famílias estão passando por dificuldade, tanta gente desempregada. Aqui está se tratando de dignidade, de saúde, de vida e isso não tem preço que pague, só quem passa é que sabe”, disse em lágrimas.

Ao se acalmar um pouco a jovem relatou que não gosta de expor o pai, mas que é necessário para que as autoridades entendam o que estão passando. “A Faap e a AGAP dão assistência de família, essa assistência que a gente precisa, esse carinho, isso não tem preço”.

Ao finalizar, Ingrid pediu aos membros da comissão que olhem com carinho a situação da FAAP, que tenham empatia, que pensem em seus familiares, pois o que ocorre em sua casa, pode acontecer com qualquer um “Peço esse olhar cuidadoso para esse projeto de lei, para voltar o benefício, porque a gente precisa muito, sem isso não sei o que farei, o que será da vida de meu pai. Peço encarecidamente que olhem com todo amor e carinho, como se fosse um familiar de vocês e devolvam o beneficio pra gente. Até onde sei esse benefício acontecerá somente até o fim do ano e depois acaba, não tem mais recurso”.

A FAAP atende Mailson desde 2013, com auxilio alimentação, medicamento e financeiro, totalizando, neste período, cerca de 250 mil. A concessão de auxilio alimentação, saúde e financeiro para Poti, ocorre desde 2018, com investimento de cerca de 53 mil, até agora. 

RELATÓRIO DE ATENDIMENTOS  

ÍNTEGRA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA/

COMISSÃO OUVE FAAP EM AUDIÊNCIA PUBLICA/ 

FAAP APRESENTA NUMERO DE ATENDIMENTO À COMISSÃO/ 

INTEGRANTES DO SISTEMA DESTACAM IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO AOS ATLETAS E EX-ATLETAS PROFISSIONAIS/

 Acesse depoimentos de ex-atletas VIDEO AQUI!/

PARLAMENTARES APOIAM A FAAP/ 

Parlamentares se reúnem na sede da FAAP

 

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