Segunda, 22 Junho 2020 19:48

50 anos do Tri: Improvisação tirou um pouco da felicidade de Piazza Destaque

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Jogador do Cruzeiro, que era volante, atuou como zagueiro na conquista do tri

 50 ano do tri

Wilson Piazza foi tricampeão com a seleção brasileira em 1970 - Foto: Daniel de Cerqueira-5.12.2015

FONTE: O TEMPO, por Marco Antônio Astoni
21/06/20

Wilson da Silva Piazza é um dos maiores jogadores da história do Cruzeiro Esporte Clube. Em 13 anos de clube, foram 14 títulos conquistados, em 566 partidas disputas, nas quais marcou 40 gols. Piazza foi campeão da Taça Brasil de 1966, após inesquecíveis vitórias sobre o Santos, e o capitão do título da Libertadores da América de 1976. A maior vitória na carreira de Piazza, no entanto, não foi pelo clube de coração, mas sim pela Seleção Brasileira. No dia 21 de junho de 1970, 50 anos atrás, portanto, o Brasil venceu a Itália por 4 a 1 no Estádio Azteca e ficou com o tricampeonato mundial e a posse definitiva da Taça Jules Rimet.

As novas gerações podem não se lembrar, mas Piazza era tão craque, mas tão craque, que era volante no Cruzeiro, mas conquistou o tri atuando como zagueiro, mesmo não sendo um jogador de porte físico compatível com a posição. Mas, Piazza revela que não ficou totalmente feliz com a conquista do tri. Para ele seria melhor, levantar a taça jogando na sua posição de origem, ainda que tenha a conquista guardada eternamente em um lugar especial de seu coração.

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“Eu realizei um sonho de garoto ao ser tricampeão do mundo no México, mas não fui completamente feliz. Eu queria ser campeão jogando como volante. Fui zagueiro sem dar carrinho, com apenas 1,76m de altura. Meu campo de ação ficou limitado, eu não senti o suor na camisa. Mas eu sou muito agradecido por ter participado daquele momento maravilhoso e por ter estas histórias bonitas para contar. A seleção ajudou a fazer os brasileiros sorrirem quando o povo mais precisava, em uma época bastante difícil”, recorda Piazza.

A mudança do meio para a zaga surgiu por uma necessidade que o técnico Zagallo teve, já no ano da Copa. O volante cruzeirense havia perdido a posição no time titular, após a saída de João Saldanha, antecessor de Zagallo na seleção.

“Com o João Saldanha, eu era titular no meio-campo e capitão do time. Com o Zagallo, fui pra reserva, e o capitão passou a ser o Carlos Alberto Torres. Minha chance de ir para a zaga veio em um treino no Maracanã, contra o time reserva. Um dos defensores, o Baldocchi, torceu o tornozelo. Nos treinos seguintes, o Zagallo continuou dependendo de um cara lá atrás para suprir a ausência do Baldocchi. Ele me perguntou se eu poderia colaborar. Eu aceitei e logo fui elogiado pela imprensa. Fui testado no último amistoso aqui no Brasil. Ali carimbei o passaporte para o México”, lembra o ex-jogador.

Passados 50 anos da conquista, Piazza se lembra da emoção que sentiu quando o jogo terminou e o tri estava definitivamente garantido. Para ele, o apoio recebido do povo mexicano é inesquecível.

“Quando o árbitro apitou o fim do jogo com a Itália, foi uma enorme euforia. A cabeça fica a mil, passa muita coisa pela cabeça. Ainda me lembro da emoção do estádio, a maioria do público era mexicano. Todos vibravam muito. Até hoje, quando toco no assunto, não seguro a emoção. Para mim, o grande momento foi ver o nosso trabalho reconhecido, o nosso esforço aplaudido pelo povo mexicano. Eles conseguiram transmitir a alegria dos brasileiros, algo que não tínhamos acesso devido aos meios de comunicação da época”, finaliza Piazza.

Disponível em: https://www.otempo.com.br/superfc/50-anos-do-tri-improvisacao-tirou-um-pouco-da-felicidade-de-piazza-1.2351649

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