Quinta, 31 Maio 2018 00:53

MARTIM FRANCISCO Destaque

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Uma revolução no futebol.

Idealizador do 4-2-4, sistema que levou o Brasil a vencer as Copas do Mundo de 1958, 62 e 70, o técnico Martim Francisco tem sua história narrada em livro de Ligia Maria Leite Pereira e Mauro Fiúza Campos Filho, sob coordenação de Doorgal Gustavo Borges de Andrade.

marim francisco

A obra conta a história de Martim Francisco Ribeiro de Andrada Sobrinho, da quinta geração familiar que repete o nome de peso na política.

Ele se notabilizou como técnico de futebol , com atuação se estendendo por cerca de três décadas, de sua estréia, aos 23 anos, no Villa Nova, da cidade de Nova Lima (MG), em  1951, ao começo dos anos 1980, quando dirigiu o Grêmio Esportivo Tiradentes, em Brasília, seu ultimo clube.

Já no início da carreira, ele ganhou fama com a invenção revolucionaria de um novo sistema de jogo, o 4-2-4, que se espalhou pelos times brasileiros, demorando a chegar a Europa. O sistema foi adotado pelo Santos Futebol Clube, em todo o período áureo com Pelé.

Foi reverenciado e aplaudido como um dos melhores técnicos da historia do futebol brasileiro, passando por diversos clubes do Brasil e Espanha, dos grandes aos de pequena expressão.  Entre tantos, o America-RJ, Vasco da Gama, América Mineiro, Cruzeiro, Corinthians, Internacional de Porto Alegre, Atlético MG, Bangu, Athletic Bilbao e Real de Sevilha.

Técnico do Vasco da Gama nos fins da década de 1950, derrotou na final de um Torneio na Europa nada menos que o poderoso imbatível Real Madri, que tinha no elenco os monstros do futebol da época Di Stefano, Puskas e Didi.

Assim é que, ao contar a historia, os autores adentram aos meandros da historia do futebol nacional e internacional, apresentando por meio da biografia do ídolo uma contribuição à memória do futebol mundial.

Os registros da atuação de Martim vão se revelando, aos poucos, conforme a leitura do livro, e se baseiam em pesquisas documentadas em jornais e revistas e arquivos particulares, embora tenham tido dificuldade de encontrar pessoas que conviveram com ele passados 25 anos de sua morte, assim a obra foca mais a trajetória futebolística.

No Prefácio do livro, Tostão lembra que tinha 16 anos quando começou a jogar no time principal e relata que quando Martim viu Dirceu Lopes, nas categorias de base, também com 16 anos, o levou para a equipe principal. “assim começou a nascer o grande time do Cruzeiro, campeão da Taça Brasil de 1966 e Pentacampeão mineiro”.

“Não tive o privilégio de atuar sob o seu comando, mas como bom conhecedor que sou do trabalho dele nos clubes, posso considerá-lo um mestre na formação das equipes, especialmente na organização tática. No futebol prevalece o mérito coletivo, tem que ter disciplina, sem o lado tático você pode ate ganhar partidas, mas não ganha títulos. O Martim era um mestre, mostrou isso, tinha a visão tática, fazia a leitura certo do jogo”, relata o tricampeão Wilson Piazza. 

O atual superintendente da Federação de Atletas Profissionais, Márcio Tannús de Almeida, trabalhou com Martim quando presidiu a Sociedade Esportiva Gama, no fim da década de 70. “Chamei Martim por indicação do querido Wilson Piazza. O time só tinha ganhado uma partida do campeonato. No segundo turno não perdeu nenhuma e foi campeão pela primeira vez como Gama”. Tannús lembra que Martim ficava, durante os jogos, sentado no banco de reservas, ao lado do preparador físico, “quando passava alguma instrução era fatal para o adversário”.

“Martim faleceu aos 54 anos, em 1982, em Belo Horizonte, com a saúde abalada por conta do alcoolismo, enfermidade que também ceifou a vida de outros grandes nomes como Garrincha e Sócrates”, relata Doorgal, na apresentação do livro.

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